População

311 pessoas

Língua

Yanomae

Número de Comunidades

06 (07 casas)


A região do Toototobi possui um novo posto de saúde construído pela URIHI no ano passado, localizado entre as coordenadas N 01° 45' 56" e W 63° 37' 04". É uma região típica de planície, com lagos naturais permanentes ou temporários, com transbordamento das margens do rio Toototobi durante o inverno. Quando os não-índios estiveram na região por volta de 1943-46, numa expedição da Comissão de Limites, Os Yanomami que dariam origem ao atual povoamento do Toototobi, moravam mais ao norte (Comunidade Marakana, 335 pessoas). Novas visitas do SPI/comissão de limites se seguiram, sendo que por  volta  de

1959, através de um funcionário (Oswaldo Leal), houve a introdução de uma grande epidemia de sarampo, referida pelos índios como a 'epidemia do Oswaldo', causando o óbito de cerca de 65% da população.
Além das epidemias, a presença contínua de uma missão durante 31 anos nesta região (missão evangélica MNTB 1960-1991) contribuiu para sedentarização dos índios e hoje se percebe uma escassez de recursos naturais básicos à alimentação tradicional. A caça só é encontrada em regiões bastante distantes, obrigando a viagens de vários dias de caminhada, e a produtividade do solo para plantio de roças é considerada baixa pelos próprios Yanomami.
Da região da baixada (Estado do Amazonas), o Toototobi foi a região que mais sofreu a influência do garimpo. As cabeceiras do Rio Toototobi foram continuamente invadidas no final da década de 80, quer do lado brasileiro, quer do lado venezuelano da fronteira, levando aos preocupantes impactos ambientais e epidemiológicos.
Atualmente a população do Toototobi se distribui em 7 comunidades, totalizando 308 pessoas. É composta por 2 grupos históricos de origens diferentes:
  – O conjunto dos ex-Sinathatheripë habitantes das terras baixas do médio Toototobi desde os anos 1950;
  – O conjunto dos ex-Warepiutheripë oriundo do alto Toototobi mais recentemente (anos 1970).
Além do impacto das epidemias de sarampo em 1959 e novamente em 1967, nos últimos 10 anos esta população teve importantes perdas demográficas em todas as faixas etárias devido ao contato intenso com o garimpo. A maioria das mortes foi causada por malária.
Por ser uma região localizada bem próximo à fronteira com a Venezuela, há intenso trânsito entre os Yanomami dos dois países. Pelo fato de existir atividade garimpeira e ausência de assistência à saúde aos yanomami do lado venezuelano, há contínua  re-introdução  de  doenças  no  Brasil,  especialmente  a

malária. As características geográficas da região de Toototobi, área de planície de terreno sedimentar com alagados naturais, contribuem para a reprodução do mosquito transmissor da malária e dificultam o deslocamento das equipes na estação das chuvas. Desta forma, a malária tem sido o principal problema de saúde dos índios desta região nos últimos anos.
Esta população possui escola desde 1998 (CCPY). Foram já formados e contratados pela URIHI 04 yanomami desta região como microscopistas. Alguns jovens colaboram como monitores de ensino nas escolas da URIHI em Surucucu e em Hakoma. Três yanomami falam a língua portuguesa. Em agosto deste ano deverá ser iniciado o curso de formação de agentes indígenas de saúde entre os yanomami desta região.

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