População

1.562 pessoas

Língua

Yanomae

Número de Comunidades

26 (32 casas)


A região tem este nome devido à Serra das Surucucus, um platô (tepuy) de topo plano recoberto com campos cerrados e de paredes abruptas, sobre as elevações do Planalto das Guianas, na região serrana do Parima. O bloco rochoso do Parima tem altitudes de até mais de 1000 m, partindo de um nível de base de cerca de 900 m de altura. Toda a região, excetuando o próprio maciço de Surucucus possui vegetação florestal e clima mais fresco, com temperaturas mais amenas que as da região de baixada. Há grande índice pluviométrico, com estações marcadas, de mais e menos chuvas.

O Pólo Base Surucucu, junto à pista do exército nas coordenadas N 02º 50' 12", W 63º 38' 30" atende, além das comunidades ao redor da Serra, toda uma região que se delimita pelos rios Parima, desce a Serra de Melo Nunes (comunidades Wathëutheri, e Koniutheri), e faz divisa com a região do Xiriana (Arathau), ao norte, e Xitei e Homoxi, ao sul, denotando uma complexidade que obrigou a sua divisão de Sururucu 5 em sub-pólos (Kumatha; Yauratha; Okomou; Porapii/Kataroa e Pirisi) Sendo a região de ocupação histórica mais antiga pelos Yanomami, provável palco da dispersão dos Yanomami pelo seu atual território, guarda marcas desta ocupação, como antigas roças e locais onde antes houveram habitações e é reconhecida pelos índios em cada parte, com denominações próprias para cada lugar.
A comunidade mais próxima ao posto, os Pirisitheripë, revela, segundo estudos, grau de parentesco com as outras comunidades próximas, como Roko, Xirimihwiki, Missowë, Hewethëu etc. A história da região passa pela instalação, na década de 1960 de uma missão evangélica (UFM- Unenvagelized Fields Mission - hoje MEVA) que, do platô, desceu a serra para se aproximar dos índios (região do Opopëu), tendo encontrado duas povoações principais: Aykamopë e Titirimopë, dos quais descendem diversas comunidades atuais, de acordo com o modo de vida Yanomami, segmentando-se cada vez que a comunidade atinge certa população e mudando-se conforme a presença humana esgota ou reduz os recursos naturais. Já naquela época, os materiais provenientes da sociedade industrial já tinham um papel importante nas relações, sendo as comunidades mais próximas responsáveis pela captação e distribuição dos mesmos, e tendo havido no correr desta história recente deslocamentos devidos à possibilidade de acesso a estes recursos; semelhante ao que se vê em outras áreas, a oferta destes materiais pelos não-índios tem contribuído para uma maior sedentarização.
Após a saída da missão, a região esteve por um breve tempo sem ocupação não índia, seguida da chegada de um posto de atração da FUNAI. A região de Surucucus foi palco da ocupação garimpeira na década de 1980, quando a situação de saúde apresentou índices epidemiológicos alarmantes devido à presença de milhares de pessoas ocupando seu espaço de perambulação, associado à baixa resistência às doenças introduzidas. Atualmente também conta com a presença de um quartel do exército (4º PEF).
As comunidades assistidas pelo sub-pólo Okomou, vêm do norte e se instalaram próximo ao rio Haxiu, formando um conjunto de comunidades próximas, tendo aliança ou relações de neutralidade com quase todos os demais grupos da região de Surucucu.
As comunidades do sub-pólo Koniu têm poucas relações de parentesco com o núcleo central do Surucucu, com algumas famílias provenientes do Mayepou. A região, afetada pelo garimpo nos anos 1980, guarda ainda evidências de ter sido acometido por epidemias durante este período.
Os yanomami do sub-pólo Moxahi têm um histórico de inimizades com os Pirisitheripë e aliados, marcado por sucessivas emboscadas e vinganças. Tal situação tem origem já no fim da década de 1990, pois antes, ao que parece, tratavam-se de grupos aliados.
Kataroa e Porapii antes eram assistidos pelo pólo-base do Xiriana, mas as inimizades entre os grupos e a situação belicosa forçaram uma mudança. Os conflitos intercomunitários têm sido comuns nesta região.
Por ser uma região de altitude elevada e assim dificultar o desenvolvimento do mosquito transmissor da malária, esta população apresentou baixa  incidência  de  malária  em  toda  a  década  de  90,  apesar  da

intensa atividade de garimpeiros nesta região. Com isso, esses Yanomami sofreram um impacto menos negativo na sua situação epidemiológica em comparação com outras regiões da área Yanomami. Os principais problemas de saúde são as infecções respiratórias agudas, a tuberculose, a oncocercose e as diarréias.
Desde novembro de 2000 a URIHI tem investido na implantação de escolas nesta região. Não há nenhum yanomami alfabetizado em Surucucu e apenas um entende a língua portuguesa. Atualmente existem 02 escolas na região que contam com 02 professores e 02 monitores yanomami de ensino, oriundos da região de Demini e de Toototobi. A Urihi pretende ampliar o número de escolas, pelo menos uma para cada sub-pólo, no início do próximo ano.

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