Desenvolvimento das Atividades de Campo

No atendimento às comunidades a URIHI desenvolve onze programas específicos, com metas e protocolos definidos para o desenvolvimento de cada atividade. Estes programas incluem a saúde materno-infantil (com ênfase no combate à desnutrição), o controle das principais doenças infecto-parasitárias (malária/controle de vetores, tuberculose, infecções respiratórias, oncocercose, verminoses, doenças sexualmente transmissíveis, cárie dentária) e imunizações.
A metodologia do atendimento se baseia no princípio de que todas as comunidades devem ser visitadas pelo menos uma vez a cada mês para que os diversos programas possam ser realizados e para que resultem em impacto na situação de saúde. Estas visitas mensais são de no mínimo 3 dias, prazo que pode se estender por um período maior devido aos tratamentos a serem completados.
Para o acompanhamento e a avaliação da situação de saúde e do desenvolvimento das atividades programadas, as equipes de saúde da URIHI preenchem relatórios padronizados de saúde por Pólo-base que são enviados mensalmente à coordenação em Boa Vista.

Recursos Humanos

A assistência em cada um dos pólos-base é permanente. Através de um sistema de escala de  permanência  e  folga  de  cada

Regiões

Enfermagem
Nível Médio

Microscopista

Técnico de
Laboratório

Enfermeiro

Médico

Dentista

TOTAL

44

19

1

4

2

1

profissional nunca há descontinuidade na assistência ao pólo-base. Para tanto, 77 profissionais de saúde atuam no campo, em geral durante 60 dias corridos. Já na seleção, procura-se identificar aqueles com perfil indigenista e com disponibilidade de permanecer distante de seus familiares por longos períodos. Antes de entrar em área, esses profissionais recebem treinamento técnico específico e adquirem noções etnográficas básicas para o desenvolvimento adequado de seu trabalho. A supervisão e a recapacitação são realizados pelos profissionais de nível superior e por técnicos de maior experiência de campo.

Logística

Os postos de saúde só são alcançáveis via aérea, transporte esse feito através do fretamento de aeronaves mono-motor, com uma distância média de 2 horas de vôo a partir de  Boa  Vista/RR.  Os  vôos  para  cada

região seguem uma rotina quinzenal, transportando equipes, medicamentos, alimentos, equipamentos, etc. Na sede da URIHI, uma equipe de apoio ao trabalho de campo cuida do suprimento dos estoques necessários, das escalas de viagens das equipes para o campo e da comunicação diária, via radiofonia.
Ao chegar nos pólos-base as equipes de saúde se deslocam a pé para as comunidades em longas e difíceis caminhadas pelas trilhas emaranhadas da floresta (com duração média de 6 horas de marcha). Em algumas poucas regiões esse trajeto pode ser feito de canoa e em outras regiões (cerca de 1.500 yanomami das áreas assistidas pela URIHI) o único acesso possível às comunidades é através de helicóptero.
Nestas regiões foi instalado um esquema operacional de sub-postos, contando com uma infra-estrutura ainda elementar para apoio ao atendimento (farmácia, radiofonia, equipe fixa). Nestes sub-pólos o helicóptero deixa a equipe e seus suprimentos para o atendimento às malocas mais próximas, só retornando para a troca dos profissionais após 30 dias.

Avanços na Infra-Estrutura de Campo

A dispersão da população Yanomami, em um território com mais de 9 milhões de hectares de floresta equatorial, dificulta o acesso das equipes de saúde às comunidades. A topografia montanhosa é mais um obstáculo ao deslocamento e são poucas as comunidades que podem ser visitadas por via fluvial. Portanto, o transporte para as regiões da área Yanomami assistidas pela URIHI é feito através de pequenas aeronaves até os pólos-base, que são instalações compostas de alojamento para funcionários e posto de saúde. A partir destas instalações, as equipes empreendem mensalmente  expedições  a  pé  para  todas  as

comunidades. Algumas aldeias ficam distantes muitos dias de caminhada destes pólos-base, obrigando a utilização de helicóptero para que possam ser visitadas regularmente e nas emergências. Além disso, a etnia Yanomami se divide em grupos sociais que são antagônicos politicamente entre si, dificultando muitas vezes a movimentação direta das equipes entre grupos de comunidades.
Por estes motivos, as atividades de saúde na área Yanomami dependem de um complexo planejamento logístico e de uma infra-estrutura de apoio composta de pistas de pouso e postos de saúde distribuídos em todas as regiões.

A infra-estrutura de campo existente no início do trabalho da URIHI era, em sua maioria, extremamente precária. Entre as 12 regiões assistidas, apenas quatro postos se encontravam em bom estado. Ao mesmo tempo, algumas comunidades, somando uma população de aproximadamente 1.500 pessoas, não dispunham sequer de pistas de pouso para o acesso à assistência. Estas aldeias só podiam ser visitadas de helicóptero ou em caminhadas de vários dias. Vale ressaltar que o custo do helicóptero é seis vezes maior do que o do avião mono-motor.

Com o convênio firmado entre a URIHI e a FUNASA, importantes investimentos estão acontecendo para a adequação da infra-estrutura de campo às necessidades operacionais do sistema de saúde. Já foram inaugurados dois novos postos de saúde, construídos em alvenaria, nas regiões de Toototobi e de Homoxi e um, em madeira, na região de Aratha-ú. Duas pistas de pouso novas já estão funcionando nas regiões de Hakoma e de Aratha-ú.
Todos os pólos-base foram equipados com materiais médicos, radiofonia para a comunicação com a sede da URIHI em Boa  Vista,  microscópios  e  geladeiras  de

vacinas. Canoas de alumínio, com motores de popa, também foram distribuídas para as áreas em que parte do trabalho pode ser realizado com a ajuda do transporte fluvial. Foram adquiridos também quatro sistemas de energia solar, equipados com geladeiras de alimentos, freezer, geladeira de vacinas, luz elétrica e bomba d’água podendo ainda suportar outros equipamentos elétricos como microscópio, rádio e utensílios domésticos. Estes sistemas estão sendo instalados nos pólos-base, que não possuem ainda energia elétrica.
Muito ainda há para fazer para melhorar a assistência nos postos de saúde e para que os profissionais disponham de um mínimo de conforto. Ainda será necessário também o investimento na construção de novas pistas de pouso para a assistência adequada a todas as comunidades, sem o dispendioso transporte de helicóptero. Esperamos que no ano de 2001 possamos avançar ainda mais nesta direção.