Esta atividade foi iniciada nas regiões em que já existiam escolas de outras instituições (MEVA em Auaris e CCPY em Demini, Toototobi e Balawaú), procurando identificar entre os Yanomami alfabetizados aqueles que manifestavam interesse em aprender o diagnóstico microscópico de malária.
Estes yanomami, com o apoio de sua comunidade para o exercício desta função, iniciam a sua formação através de cursos teórico-práticos cujo conteúdo abrange noções de etiologia, transmissão e quadro clínico da malária, técnicas de coleta e de coloração das lâminas, o treinamento nas rotinas de busca ativa e busca passiva, o aprendizado da identificação das diferentes espécies de Plamódium ao microscópio, o treinamento no preenchimento do formulário específico e a manutenção do microscópio.
Para que este treinamento fosse possível, foi elaborado um material didático de apoio, o Manual do Microscopista Yanomami, totalmente traduzido e adaptado para as línguas dos alunos (Yanomae, Yanomami e Sanima).

Após o treinamento, ministrado por 2 professores-instrutores, os alunos realizam a prova oficial da Secretaria de Saúde do Estado de Roraima para a obtenção do diploma.
Através desta atividade, o programa de educação em saúde da URIHI alcançou um importante resultado: 20 Yanomami já passaram na prova da SESAU/RR. Este número de Yanomami formados supera, pela primeira vez na história do serviço sanitário aos Yanomami, o total de microscopistas não-yanomami contratados por um instituição. Estes Yanomami estão inseridos na rotina do programa de saúde da URIHI de controle mensal da incidência desta doença em suas comunidades.
A URIHI atualmente possui em seu quadro de pessoal 19 microscopistas não-yanomami  e,  entre  estes,  05  são

índios da etnia Yekuana (co-habitantes da Terra Indígena Yanomami, somam 280 pessoas). Isto significa que do total de profissionais responsáveis pelo diagnóstico microscópico da malária na URIHI, 64% são índios que residem na área.
Em 2001 a URIHI pretende ampliar ainda mais o número de Yanomami microscopistas (idealmente no futuro seria um microscopista em cada comunidade de região meso e hiper-endêmica de malária), bem como prosseguir na formação dos microscopistas já formados, visando a sua formação em agentes comunitários de saúde, capacitados a exercer com plena autonomia a prevenção e o tratamento das demais doenças introduzidas.

Para que a formação em saúde seja possível no futuro também para os yanomami das outras regiões assistidas pela URIHI, iniciou-se a implantação de escolas de alfabetização na língua materna nas áreas em que essa experiência escolar não existia. Até o momento foram implantadas escolas nas regiões de Auaris (3 escolas), Surucucu (2 escolas) e Hakoma (2 escolas). Para este trabalho, além do coordenador de ensino, 3 professores estão contratados e contam com a colaboração de 6 yanomami de outras regiões, já alfabetizados, como monitores de educação.
As escolas de alfabetização nas aldeias, assim como a de formação de agentes indígenas de saúde, se inspiram nos princípios da construção do conhecimento, ou seja, o saber sendo construído e re-elaborado em parceria com os yanomami, respeitando sua visão de mundo e seus próprios métodos de aprendizagem e de aquisição do conhecimento.
O principal objetivo desta iniciativa é garantir aos yanomami os instrumentos necessários para se relacionarem autonomamente com a nossa sociedade, visando que prescindam da dependência de nossa presença para a garantia de sua sobrevivência.