População

298 pessoas

Língua

Yañomami

Número de Comunidades

10


A região do Balawau possui um posto de saúde localizado entre as coordenadas geográficas N 01° 48' 08" e W 63° 47' 33". Apresenta características de planície, sendo seu terreno bastante irregular, com pequenas elevações entremeadas por depressões de tamanhos variáveis, propícias para a formação de coleções de água durante a estação das chuvas. O curso dos igarapés é, no entanto, estreito, impedindo o acesso fluvial às comunidades, mesmo durante o inverno, sendo realizado o percurso a pé. A região é cercada pela Serra do Urucuzeiro.
Devido  à  maior  distância  e  dificuldade  de

acesso, esta região praticamente ficou isolada, não tendo sofrido alterações diretas no seu meio ambiente decorrentes da presença de missões, Funai ou frentes de atividades econômicas não-indígenas. No entanto, os Yanomami desta região relatam contato indireto com epidemias de sarampo, através das relações que mantinham com outros grupos (Toototobi, Aracá e Ajuricaba). Particularmente a 'epidemia do Oswaldo', funcionário do SPI, que em 1959 acidentalmente infectou a área do Toototobi, foi responsável por uma importante redução demográfica no final da década de 50. O contato com garimpeiros em outras regiões vizinhas foi também avassalador. Através dele um grande número de Yanomami adoeceu e morreu de malária no final da década passada.
Na região do Balawau existem atualmente 10 comunidades, com um total de 298 yanomami. Uma comunidade (maloca Wanapiuteri) migraram da mesma comunidade de origem histórica dos habitantes do Toototobi (maloca Marakana). As demais comunidades provêm da região do alto rio Siapa e cabeceiras do rio Toototobi (rio Orinoco), sobre o planalto venezuelano.
Diferenciam-se dos demais Yanomami das áreas acima citadas em traços culturais importantes, como por exemplo, o "super-dialeto yanomami oriental" que é falado aqui (Yanõmami) em contraste com o "super-dialeto Yanomami ocidental" que é falado no Demini e Toototobi (Yanomae).
Suas histórias epidemiológicas não são ainda muito bem conhecidas face ao isolamento em que viviam até recentemente. No entanto, os relatos dos yanomami informam um grande número de óbitos na década de 80, após contato com garimpeiros na Venezuela, provocados por epidemias de malária e provavelmente sarampo. De fato, se observarmos a população média por comunidade neste grupo, que tradicionalmente entre os Yanomami costuma ser bastante alta, notamos que, pelo contrário, apresenta baixo índice de densidade populacional por maloca, isto é, uma média de 29 pessoas por comunidade.

Atualmente vivem em boas condições gerais de saúde, apesar da persistente incidência de malária devido às condições ambientais (terras baixas com alagados sazonais) favoráveis ao desenvolvimento do vetor da malária. Região próxima à fronteira com a Venezuela, recebe ocasionalmente visitas de yanomami oriundos desse país, aonde não há nenhum tipo de assistência à saúde a estas comunidades. Estes visitantes freqüentemente informam a ocorrência de epidemias com muitos óbitos.
Esta região possui escola implantada pela ONG Pró-Yanomami (CCPY) desde 1998, até o momento, 04 yanomami foram formados pela URIHI em microscopistas para o diagnóstico de malária em suas comunidades. Somente dois yanomami da região entendem razoavelmente a língua portuguesa. Deverá ser iniciada a formação de agentes de saúde entre estes Yanomami em agosto deste ano.

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