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Resultados na Saúde dos Yanomami
Ao assumir a assistência no início do ano 2000, a URIHI enfrentou a trágica situação de saúde em que se
encontravam os Yanomami. Durante toda a década de 1990 a execução direta das ações de saúde pela Fundação
Nacional de Saúde (FUNASA) no Distrito Sanitário Yanomami (DSY) foi extremamente mal sucedida demonstrando-se
incapaz de resolver a situação de calamidade epidemiológica dos Yanomami. A incidência de malária era altíssima,
sendo a principal causa de morte durante o período. A tuberculose progredia de forma epidêmica e os diagnósticos
só ocorriam nas formas já avançadas da doença. A assistência - precária ou ausente - das comunidades mais
isoladas permitia que muitos óbitos não fossem notificados. A média do Coeficiente de Mortalidade Geral era
quase 4 vezes maior que a registrada na população brasileira em geral. Este lastimável quadro sanitário, ampla
e regularmente divulgado pela imprensa nacional e internacional, chegou a despertar uma preocupação mundial quanto
à sobrevivência desta etnia. O Estado brasileiro, constrangido por esta péssima publicidade, respondia às denúncias
constantes sobre o "genocídio Yanomami" com a liberação de volumosos recursos financeiros que foram desperdiçados
pela FUNASA local (Roraima) num modelo de execução direta totalmente ineficiente e altamente prejudicado por
irregularidades e desvios financeiros, comprovados em sucessivas auditorias da própria FUNASA.
Em meados de 1999, no contexto da reestruturação da saúde indígena pelo governo federal e a implantação
dos DSEIs em todo o Brasil através da descentralização, a Urihi aceitou o convite da FUNASA para implantar
um sistema de saúde para os Yanomami que revertesse o quadro epidemiológico catastrófico de então. Assim,
após uma curta etapa preparatória (outubro a dezembro de 1999), a Urihi assumiu em janeiro de 2000 a
assistência no campo para cerca de 50 % da população Yanomami residente no Brasil.
Ao longo dos seus 4,5 anos de atividades, a URIHI alcançou extraordinários resultados. A incidência de
malária, principal causa mortis na década anterior, foi reduzida em mais de 99% durante o período e,
desde 2001 até junho de 2004, não ocorreu nenhum óbito por esta doença nas áreas assistidas. Trinta e um
jovens yanomami foram capacitados no diagnóstico laboratorial da malária em suas comunidades.
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A mortalidade infantil foi reduzida em 65 % e a tuberculose começou a ser diagnosticada precocemente e,
sempre que possível, tratada na área indígena. A cobertura vacinal em crianças menores de um ano atingiu
pela primeira vez as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde e o tratamento da oncocercose, doença
restrita no país à área yanomami e em relação à qual o Brasil tem um compromisso internacional pela sua
erradicação, alcançou uma das mais altas coberturas das Américas. O estado nutricional das crianças menores
de cinco anos era acompanhado mensalmente, identificando a necessidade de intervenção nos casos freqüentes
de desnutrição.
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Estas medidas permitiram um crescimento demográfico de cerca de 4% ao ano. Desta forma, a URIHI conseguiu
reverter nas aldeias yanomami sob sua assistência (7.500 índios) a situação de risco de extermínio gerado
pela altíssima incidência de doenças e pela ineficiência dos serviços de saúde prestados anteriormente
pelo Estado brasileiro.
Nesta secção encontram-se os planos de trabalho e relatórios das atividades com os resultados anuais da
URIHI, bem como as informações sobre a metodologia de trabalho desenvolvida para se chegar a esses
resultados.
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