População Assistida

Normas e Rotinas

Metodologia e Desenvolvimento das Atividades

Nossa metodologia se baseia no princípio da assistência permanente, ou seja, para que as ações resultem em impacto na situação de saúde dos Yanomami é necessário que o atendimento seja ininterrupto na área.

Este atendimento se dá através do deslocamento mensal das equipes, a partir dos pólos-base, a todas as comunidades para que os diversos programas possam ser realizados. Quando a URIHI iniciou os trabalhos, nenhum dos programas do Ministério da Saúde estavam implantados no DSY e assim foi necessário definir as rotinas e os protocolos médicos específicos para cada programa, a sua operacionalização e a logística do atendimento. Diversos programas estão agora implantados e compõem a rotina do atendimento mensal das equipes nas malocas (ver Programas - Normas e Rotinas).

As visitas mensais são de no mínimo 3 dias, prazo que pode se estender por um período maior devido aos tratamentos a serem completados, uma vez que os Yanomami não estão ainda preparados para dar continuidade às prescrições, mesmo nos casos de tratamento por via oral. Devido ao recente contato com a nossa sociedade e com as terapêuticas da nossa medicina, à dificuldade de comunicação e à falta de um sistema numérico para quantificar as doses e horários dos medicamentos, todos os tratamentos, mesmo aqueles que são administrados por via oral, precisam ser efetuados diretamente por um profissional de saúde. Para tanto, o número de profissionais de saúde deve ser o adequado para que se realizem essas visitas de no mínimo 3 dias a todas as aldeias, prazo este que em geral se estende por um período maior devido à necessidade de se completar os tratamentos mais prolongados.

Os casos de maior complexidade ou de maior gravidade, que não podem ser resolvidos na área indígena, são removidos para a cidade de Boa Vista.

Operacionalização e Logística

Todos os pólos-base atendidos pela URIHI são alcançáveis unicamente por via aérea. Este transporte é feito através do fretamento de aeronaves mono-motor, em viagens que duram em média duas horas de vôo a partir de Boa Vista. Os vôos para cada região seguem uma rotina quinzenal, transportando equipes, medicamentos, alimentos, equipamentos, etc.

Ao chegar nos pólos-base as equipes de saúde se deslocam a pé para as comunidades em longas e difíceis caminhadas pelas emaranhadas trilhas da floresta (com duração média de 6 horas de marcha). Em algumas poucas regiões as viagens podem ser feitas de canoa e em outras regiões (onde vivem cerca de 1.500 yanomami) o único acesso possível dos postos de saúde às comunidades é através de helicóptero.

Para reduzir o custo de helicóptero e melhorar a qualidade da assistência, nestas regiões mais distantes a URIHI montou um novo esquema operacional, com a criação de "sub-pólos" nas regiões de Auaris e de Surucucus.

Nos sub-pólos, onde existe uma infra-estrutura mínima (radiofonia + farmácia básica + equipe fixa) a equipe é levada para essas regiões através de helicóptero e lá permanece por 45 dias para o atendimento às comunidades locais (em geral 350 pessoas/sub-pólo) e para o desenvolvimento da programação pré-estabelecida. O helicóptero só então retorna para o resgate da equipe, após 30 dias.

Na sede da URIHI, uma equipe de apoio ao trabalho de campo cuida do suprimento dos estoques necessários, das escalas de viagens das equipes para o campo e da comunicação diária, via radiofonia.

Sistema de Informações

Logo no início da atuação da URIHI foi necessário recenciar toda a população alvo, uma vez que os poucos censos repassados pela FUNASA estavam totalmente desatualizados (mortos constavam, nascidos não constavam, mudanças de residência não efetuadas, etc) e mesmo inexistiam censos de comunidades inteiras.

Para o acompanhamento e a avaliação da situação de saúde e do desenvolvimento das atividades programadas, as equipes de saúde da URIHI preenchem relatórios padronizados de saúde por Pólo-base que são enviados mensalmente à coordenação em Boa Vista. Na sede, estas informações de cada um dos pólos-base são digitadas e permitem o acompanhamento mensal da situação epidemiológica, a vigilância sanitária, o acompanhamento das atividades dos programas, as atualizações censitárias, etc. As informações consolidadas geram relatórios epidemiológicos que subsidiam as decisões da gerência. Informações de óbitos, de casos de malária e de doenças de notificação compulsória são comunicadas também através da radiofonia diariamente, para que providências possam ser tomadas imediatamente.

Todas as famílias yanomami assistidas pela URIHI já foram cadastradas no novo sistema governamental, o SIASI e as informações de campo são mensalmente encaminhadas ao DSY-FUNASA/RR.

Recursos Humanos

Para que a assistência em cada um dos pólos-base seja permanente é necessário um sistema de escala de permanência/folga de cada profissional que garanta que nunca haja descontinuidade na assistência ao pólo-base. Para isso, os profissionais cumprem um período de 30 dias de trabalho na área por 15 dias de folga na cidade. A troca de profissionais (e portanto os vôos que transportam medicamentos, alimentos, combustível, etc) segue uma rotina quinzenal para cada um dos pólos-base.

Já na seleção, procura-se identificar aqueles com perfil indigenista e com disponibilidade de permanecer distante de seus familiares por longos períodos. Ao serem contratados, os profissionais de saúde da URIHI recebem treinamento básico sobre as principais rotinas da assistência e sobre noções etnográficas específicas para o atendimento intercultural. No decorrer do exercício profissional são realizados treinamentos periódicos no campo pela equipe de supervisão (médicos e enfermeiros) garantindo a educação continuada em serviço.A supervisão e a recapacitação são realizados pelos profissionais de nível superior e por técnicos de maior experiência de campo.

A seleção, treinamento e supervisão dos profissionais são feitos pela equipe de profissionais de nível superior (médicos e enfermeiros) da URIHI. Nas regiões onde há maior concentração populacional, problemas de saúde e complexidade logística (como a existência de sub-pólos) a URIHI mantém um enfermeiro ou médico fixo. Os médicos e os enfermeiros são responsáveis pelo treinamento continuado, em serviço, dos profissionais de nível médio e pelos cursos periódicos programados pela coordenação (vacinação, reciclagem das principais doenças, etc).

Além da complexidade logística, a URIHI enfrenta também uma grande dificuldade para o engajamento de profissionais de saúde em seu quadro. O principal motivo deve-se à escassez de profissionais no mercado de trabalho com a necessária vocação para trabalhar nas excepcionalmente difíceis condições da área Yanomami, particularmente nas áreas assistidas pela URIHI que são as mais isoladas, as com a maior dispersão populacional e as de mais difícil acesso de todo o território yanomami.

Infra-Estrutura

A dispersão da população Yanomami, em um território com mais de 9 milhões de hectares de floresta equatorial, dificulta o acesso das equipes de saúde às comunidades. A topografia montanhosa é mais um obstáculo ao deslocamento e são poucas as comunidades que podem ser visitadas por via fluvial. Portanto, o transporte para as regiões da área Yanomami assistidas pela URIHI é feito através de pequenas aeronaves até os pólos-base, que são instalações compostas de alojamento para funcionários e posto de saúde. A partir destas instalações, as equipes empreendem mensalmente expedições a pé para todas as comunidades. Algumas aldeias ficam distantes muitos dias de caminhada destes pólos-base, obrigando a utilização de helicóptero para que possam ser visitadas regularmente e nas emergências. Além disso, a etnia Yanomami se divide em grupos sociais que são antagônicos politicamente entre si, dificultando muitas vezes a movimentação direta das equipes entre grupos de comunidades.

Por estes motivos, as atividades de saúde na área Yanomami dependem de um complexo planejamento logístico e de uma infra-estrutura de apoio composta de pistas de pouso e postos de saúde distribuídos em todas as regiões. A infra-estrutura de campo existente no início do trabalho da URIHI era, em sua maioria, extremamente precária. Entre as 12 regiões assistidas, apenas quatro postos se encontravam em bom estado. Ao mesmo tempo, algumas comunidades, somando uma população de aproximadamente 1.500 pessoas, não dispunham sequer de pistas de pouso para o acesso à assistência. Estas aldeias só podiam ser visitadas de helicóptero ou em caminhadas de vários dias. Vale ressaltar que o custo do helicóptero é seis vezes maior do que o do avião mono-motor. Desde o início das atividades da URIHI importantes investimentos estão acontecendo para a adequação da infra-estrutura de campo às necessidades operacionais do sistema de saúde. Foram inaugurados sete postos de saúde nas regiões de Toototobi, Demini, Sigaima, Hakoma, Arathaú, Auaris e Homoxi. Os demais postos foram, até o momento, quase todos reformados. Cinco pistas de pouso novas foram implantadas nas regiões de Hakoma, Aratha-ú, Sigaima, Haxiú e Saúba.

Todos os pólos-base foram equipados com materiais médicos, radiofonia para a comunicação com a sede da URIHI em Boa Vista, microscópios e geladeiras de vacinas. Canoas de alumínio, com motores de popa, também foram distribuídas para as áreas em que parte do trabalho pode ser realizado com a ajuda do transporte fluvial. Foram adquiridos também quatro sistemas de energia solar, equipados com geladeiras de alimentos, freezer, geladeira de vacinas, luz elétrica e bomba d'água podendo ainda suportar outros equipamentos elétricos como microscópio, rádio e utensílios domésticos. Estes sistemas estão sendo instalados nos pólos-base, que não possuem ainda energia elétrica.

Atendimento Terciário

Os casos mais graves são encaminhados do aeroporto diretamente para as unidades de pronto-atendimento (Hospital Infantil, Maternidade, Hospital Geral de Roraima, etc). Os casos que não são graves, mas exigem maior complexidade para o seu diagnóstico, são removidos para a Casa do Índio onde são assistidos ou encaminhados para outras unidades de referência para o atendimento especializado. A assistência na cidade não apresenta ainda um nível de qualidade nem o atendimento diferenciado minimamente razoáveis. Apesar do progresso indiscutível da Casa do Índio de Roraima, ainda existem problemas de recursos humanos. O atendimento do SUS em geral ocorre de maneira lenta e com baixa qualificação técnica. Ao mesmo tempo, não há nenhuma adaptação do sistema que proporcione uma assistência diferenciada aos índios.

Fatores de Risco

1) Alto custo das operações e instabilidade no financiamento (risco de descontinuidade das ações devido ao atraso de parcelas e na renovação anual dos convênios, bem como o risco permanente de redução do orçamento);

2) Ausência de assistência à saúde dos Yanomami na Venezuela;

3) Dificuldades operacionais e logísticas relacionadas à grande dispersão entre as comunidades e entre os pólos-base;

4) Inexistência de agentes indígenas de saúde totalmente formados;

5) Dificuldade de se conseguir recursos humanos com perfil indigenista e qualificação técnica adequada para as excepcionalmente difíceis condições de trabalho na área yanomami;

6) Dificuldade de comunicação lingüística entre as equipes de saúde e os índios;

7) Alcoolismo, especialmente nas regiões próximas aos limites da área indígena;

8) Contínua presença de atividade garimpeira ilegal especialmente nas regiões de Parafuri, Arathaú, Surucucu, Paapiú e Ericó - contínua reintrodução de doenças (DST, gripe, TB, diarréias, malária) e danos ambientais ligados à técnica de exploração do ouro (contaminação por mercúrio e formação de criadouros do vetor da malária);

9) Grande presença de armas de fogo e munição na região, potencializando e agravando conflitos inter-comunitários.

Controle Social

Desde a reforma da assistência à saúde indígena implantada em 2000, iniciou-se a estruturação do Conselho Distrital do DSY com a implantação dos Conselhos Locais em todas as regiões assistidas pela URIHI.

Houve um grande interesse de participação por parte dos conselheiros, o que tornou mais efetivo o controle social no DSY. Periodicamente os yanomami têm se reunido em suas regiões nos Conselhos Locais de Saúde para avaliar a situação de saúde e o atendimento prestado pela URIHI. Os representantes / conselheiros eleitos no último ano participaram de todas as reuniões do Conselho Distrital do DSY em Boa Vista.

No entanto, acreditamos que a organização política dos Yanomami ainda pode avançar mais e, para isso, é necessário que se continue a investir na capacitação dos conselheiros e que se garanta a participação de intérpretes nas reuniões dos conselhos locais e distrital para melhor comunicação entre as equipes / prestadores de serviços e os usuários, bem como a elaboração do Plano Distrital e demais documentos de interesse direto dos Yanomami nas diversas línguas nativas

O Trabalho da Urihi na Área Yanomami (2000 - 2004)

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Convênio Urihi - Funasa
(2000 - 2004)

O Trabalho da Urihi na
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(2000 - 2004)

O Reconhecimento do Trabalho da Urihi através da Imprensa

Análises e Denúncias da Urihi à Contra-Reforma da Saúde Indígena de 2004

Porque a Urihi virou bode expiatório em 2007 ?

A calamitosa situação de saúde no DSY a partir de 2004

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Como foram forjadas as denúncias contra a Urihi
A Urihi no TCU
As Auditorias da FUNASA
Marco Regulatório dos Convênios com a FUNASA
Respostas da Urihi aos ataques a seu trabalho

Notícias do DSY na Imprensa
2004 a 2008

Relatório Técnico de Malária
DSY/FUNASA - 2006

FUNASA divulga dados de saúde Yanomami em 2004
Urihi contesta dados de saúde divulgados pela FUNASA
FUNASA responde às críticas da Urihi sobre dados divulgados
Degradação da Saúde Yanomami
Nova Epidemia de Malária entre os Yanomami
Relatório da FUNASA confirma grave epidemia e crise na assistência